Diretrizes para Revisores

A Zoom Business Review reconhece a revisão por pares como componente fundamental do controle de qualidade, da credibilidade e da integridade da comunicação científica.

Os avaliadores atuam como especialistas independentes e colaboram voluntariamente com os Editores na análise dos manuscritos.

O parecer possui natureza consultiva. A decisão editorial final compete ao Editor responsável.

1. Sistema de revisão

A ZBR utiliza revisão por pares duplo-cega (double-blind peer review).

Nesse modelo:

os avaliadores não conhecem a identidade dos autores e os autores não conhecem a identidade dos avaliadores durante o processo de revisão.

Como política de qualidade editorial, cada artigo científico deverá ser analisado por pelo menos dois pareceristas independentes, salvo conteúdos editoriais que não estejam sujeitos à revisão científica externa.

Esse padrão também atende aos critérios básicos atualmente estabelecidos pelo DOAJ para periódicos com revisão por pares.

2. Antes de aceitar o convite

O parecerista deverá verificar:

Competência

Aceite a avaliação apenas quando possuir conhecimento suficiente sobre o tema ou metodologia.

Disponibilidade

Avalie se será possível realizar uma análise criteriosa dentro do prazo.

Conflitos de interesse

Não aceite a avaliação quando existir relação capaz de comprometer sua independência.

Podem constituir conflitos:

  • colaboração recente;
  • vínculo institucional próximo;
  • relação profissional;
  • relação pessoal;
  • competição acadêmica;
  • interesse financeiro;
  • envolvimento no projeto;
  • qualquer relação que possa comprometer ou aparentar comprometer a imparcialidade.

Em caso de dúvida, consulte o Editor.

3. Prazo

O prazo de referência utilizado atualmente pela ZBR é de 21 dias a partir do aceite do convite.

Caso não seja possível cumprir esse prazo, o parecerista deverá comunicar a equipe editorial o mais cedo possível.

Solicitações justificadas de prorrogação poderão ser avaliadas.

4. Confidencialidade

O manuscrito é um documento confidencial.

Não é permitido:

  • compartilhar o trabalho;
  • discutir seu conteúdo com terceiros;
  • encaminhar o arquivo a outras pessoas;
  • utilizar informações inéditas;
  • utilizar dados para pesquisa própria;
  • apropriar-se de ideias;
  • contatar diretamente os autores.

As orientações do COPE enfatizam competência, confidencialidade, imparcialidade e responsabilidade como obrigações fundamentais do revisor.

5. Participação de terceiros

O convite é pessoal.

O parecerista não poderá delegar a revisão a estudante, colega ou outro pesquisador sem autorização prévia da equipe editorial.

Quando houver participação autorizada, a pessoa deverá ser identificada à revista para que sua contribuição seja reconhecida e os deveres de confidencialidade sejam mantidos.

6. Inteligência Artificial

É expressamente proibido inserir o manuscrito ou partes confidenciais em ferramentas externas de IA quando isso possa comprometer sua confidencialidade.

O parecerista não deverá utilizar IA generativa para substituir sua avaliação científica.

A análise, os argumentos e a recomendação devem representar julgamento humano independente.

Essa diretriz já consta da política atual da ZBR, que proíbe inserir o manuscrito, integral ou parcialmente, em ferramentas de Inteligência Artificial.

O DOAJ também recomenda que revisores e editores não utilizem IA generativa para criar avaliações, destacando riscos de confidencialidade, vieses e conteúdo incorreto.

7. Princípios do parecer

O parecer deverá ser:

objetivo, fundamentado, construtivo, específico, respeitoso e confidencial.

A crítica deve ser direcionada ao trabalho científico, jamais aos autores.

Não serão aceitos comentários:

  • ofensivos;
  • discriminatórios;
  • depreciativos;
  • intimidatórios;
  • pessoais.

8. Avaliação inicial do manuscrito

Recomenda-se iniciar examinando:

Qual é a pergunta central?
O estudo apresenta contribuição?
O método é adequado?
Os resultados sustentam as conclusões?
Existe problema grave de ética ou integridade?

9. Originalidade e contribuição

O avaliador deverá considerar:

  • relevância do problema;
  • originalidade;
  • contribuição teórica;
  • contribuição metodológica;
  • contribuição aplicada ou gerencial;
  • adequação ao escopo.

A mera aplicação de técnica conhecida em contexto diferente não implica necessariamente contribuição suficiente.

10. Título e resumo

Verificar se:

  • representam fielmente o estudo;
  • não apresentam conclusões exageradas;
  • descrevem adequadamente o método;
  • informam os principais resultados;
  • são coerentes com o texto.

11. Introdução

Avaliar:

  • clareza do problema;
  • justificativa;
  • relevância;
  • lacuna;
  • objetivos;
  • hipóteses ou questões, quando aplicáveis.

12. Referencial teórico

O parecerista deverá considerar:

  • qualidade da literatura;
  • coerência da construção teórica;
  • atualidade das referências;
  • presença de trabalhos fundamentais;
  • articulação crítica;
  • adequação de hipóteses e modelos.

Não é recomendável exigir referências apenas porque pertencem ao próprio avaliador.

Solicitações de citação deverão possuir justificativa científica.

13. Metodologia

Este deve ser um dos principais focos da avaliação.

Pesquisas quantitativas

Verificar:

  • desenho;
  • amostragem;
  • tamanho da amostra;
  • instrumentos;
  • validade;
  • confiabilidade;
  • variáveis;
  • técnicas estatísticas;
  • pressupostos;
  • interpretação dos resultados.

Pesquisas qualitativas

Verificar:

  • adequação da abordagem;
  • seleção dos participantes;
  • saturação ou justificativa equivalente quando aplicável;
  • processo de coleta;
  • codificação;
  • análise;
  • reflexividade;
  • coerência entre evidências e interpretações.

Métodos mistos

Verificar:

  • justificativa para integração;
  • qualidade de cada componente;
  • estratégia de integração;
  • coerência das inferências.

Estudos bibliométricos

Verificar:

  • bases;
  • estratégia de busca;
  • período;
  • tratamento dos dados;
  • indicadores;
  • software;
  • parâmetros analíticos;
  • interpretação.

14. Resultados

O parecerista deverá verificar se:

  • correspondem aos métodos;
  • são apresentados com clareza;
  • não possuem inconsistências;
  • tabelas e figuras são adequadas;
  • resultados relevantes foram reportados;
  • análises foram interpretadas corretamente.

15. Discussão

Avaliar:

  • interpretação;
  • comparação com a literatura;
  • contribuição;
  • implicações;
  • explicações alternativas;
  • limitações;
  • cautela na generalização.

16. Conclusão

A conclusão deverá ser sustentada pelos resultados.

O parecerista deverá identificar:

  • extrapolações;
  • afirmações causais indevidas;
  • generalizações excessivas;
  • recomendações que não decorrem das evidências.

17. Ética

Possíveis problemas relacionados a:

  • consentimento;
  • dados pessoais;
  • entrevistas;
  • questionários;
  • autorização empresarial;
  • confidencialidade;
  • conflitos de interesse;
  • integridade,

deverão ser comunicados ao Editor.

18. Suspeitas de má conduta

Caso identifique possível:

plágio, fabricação, falsificação, duplicação, manipulação de dados, manipulação de citações, autoria irregular ou outro problema de integridade, o avaliador deverá informar o Editor confidencialmente.

Não deverá acusar diretamente os autores ou realizar contato externo.

19. Estrutura recomendada do parecer

Avaliação geral

Apresente breve síntese do trabalho e sua contribuição.

Pontos fortes

Identifique aspectos positivos relevantes.

Comentários principais — Major Comments

Destinados a questões que afetam:

  • validade;
  • metodologia;
  • análise;
  • interpretação;
  • contribuição;
  • ética.

Comentários secundários — Minor Comments

Destinados a:

  • clareza;
  • terminologia;
  • organização;
  • pequenas inconsistências;
  • tabelas;
  • referências.

Recomendação

A recomendação editorial deverá ser indicada no campo próprio do sistema.

A ZBR já orienta seus pareceristas a não inserir a recomendação de aceite ou rejeição nos comentários destinados aos autores, mantendo essa indicação no campo confidencial próprio.

20. Recomendações editoriais

O avaliador poderá recomendar:

Aceito
Pequenas revisões necessárias
Grandes revisões necessárias
Ressubmeter para avaliação
Rejeitado

A recomendação deverá ser coerente com o parecer apresentado.

21. Divergência entre pareceristas

Pareceres divergentes serão analisados pelo Editor.

Poderão ser adotadas medidas como:

  • nova análise editorial;
  • solicitação de esclarecimento;
  • terceiro parecer;
  • avaliação metodológica específica.

A decisão não será determinada apenas pela contagem numérica dos pareceres.

22. Segunda rodada

Quando convidado a reavaliar uma versão revisada, o parecerista deverá concentrar-se principalmente em:

  • resposta dos autores;
  • alterações realizadas;
  • questões não resolvidas;
  • eventuais novos problemas relevantes.

Evite introduzir sucessivamente exigências não essenciais que poderiam ter sido apontadas na primeira avaliação.

23. Reconhecimento dos pareceristas

A ZBR reconhece a revisão por pares como atividade acadêmica relevante.

A atuação poderá ser registrada e comprovada por declaração emitida pela equipe editorial, conforme já estabelece a página vigente da revista.

O reconhecimento deverá preservar o anonimato do manuscrito e dos autores quando exigido pelo modelo duplo-cego.