Desafios da gestão no uso de novas tecnologias pelas organizações frente à diversidade cultural brasileira
Management challenges in the use of new technologies by organizations in the face of Brazilian cultural diversity
-
Eder Moreira de Freitas
Autor correspondente
, Brasil -
Marcelo Socorro Zambon
, Brasil -
Valquíria M. Augusti
, Brasil
Resumo
A diversidade cultural tornou-se um desafio para as organizações nos últimos anos. Neste sentido, discussões sobre gêneros, raças e estilo de vida ganharam notoriedade na medida em que passou a ser importante tornar o ambiente organizacional mais multicultural, ou seja, ambiente no qual ocorre o compartilhamento de opiniões, ideias, ações criativas e inovadoras sem qualquer tipo de distinção entre as pessoas. Um fator que auxiliou a consolidação da diversidade cultural como promotora de bem-estar na organização e como potencializador dos resultados corporativos positivos foi a globalização, pois ocorreu crescente implemento das tecnologias digitais, vistas por meio dos hardwares e dos softwares, em desenvolvimento contínuo com a finalidade de aumentar e monitorar a produtividade das pessoas em um ambiente de trabalho cada vez mais colaborativo. O presente estudo teve por objetivo apresentar uma discussão sobre os desafios encontrados pelas organizações no gerenciamento da diversidade cultural brasileira, em meio às mudanças tecnológicas. A metodologia utilizada para o desenvolvimento deste estudo foi a revisão bibliográfica, que tomou como base artigos relevantes na medida em que abordavam o tema aqui proposto. Mesmo que muito ainda possa ser feito pelas organizações, como resultado do estudo, observou-se que as organizações têm passado por muitas mudanças para atender a uma sociedade diversa culturalmente (cor, credo e raça, por exemplo, perdem importância em função de um bem maior, que é a igualdade de direitos e de deveres; todos, indiferentemente à sua orientação e características pessoais e físicas, são vistos como iguais), alinhando a cultura de diversidade à cultura da organização.
Palavras-chave: Diversidade; Organização; Multicultural; Gestão
Abstract
Cultural diversity has become a challenge for organizations in recent years. In this sense, discussions about genders, races and lifestyle have gained notoriety as it has become important to make the organizational environment more multicultural, that is, an environment in which there is the sharing of opinions, ideas, creative and innovative actions without any kind of distinction between people. One factor that helped consolidate cultural diversity as a promoter of well-being in the organization and as a potentializer of positive corporate results was globalization, with the growing implementation of digital technologies, seen through hardware and software, in continuous development with the purpose of increasing and monitoring people productivity in an increasingly collaborative work environment. The present study aimed to present a discussion about the challenges faced by organizations in the management of Brazilian cultural diversity, amid technological changes. The methodology used for the development of this study was the bibliographic review, which took as a basis relevant articles as they addressed the theme proposed here. Even though much can still be done by organizations, as a result of the study, it was observed that they have undergone many changes to serve a culturally diverse society (color, creed and race, for example, lose importance due to a greater good, which is equal rights and duties; everyone, regardless of their orientation and personal and physical characteristics, are seen as equal), aligning the culture of diversity with the culture of the organization.
Keywords: Diversity; Organization; Multicultural; Management
Texto completo
1.
INTRODUÇÃO
O ambiente organizacional é estruturado em
uma combinação planejada de esforços, onde indivíduos interagem diariamente com
o objetivo de alcançar metas específicas, utilizando uma divisão hierárquica e
funcional bem delineada. Nesse contexto, a interação social e profissional dos
colaboradores tende a enriquecer o ambiente organizacional à medida que este se
torna mais diversos e criativo. Isso significa que um ambiente que valoriza e
acolhe indivíduos com diferentes experiências, visões e motivações possui
potencial para desenvolver soluções inovadoras que atendem às exigências do
mercado de forma mais eficaz.
A presença de colaboradores com origens
culturais diversas, incluindo diferenças raciais, étnicas, nacionais,
religiosas, de gênero, orientação sexual e estilos de vida, contribui para a
formação de um ambiente organizacional multicultural. Segundo Gonçalves,
Espejo, Altoé e Voese (2016, p. 97), a diversidade vai além das questões de
raça e gênero, envolvendo também aspectos de estilo de vida e de trabalho,
condição socioeconômica, nacionalidade, faixa etária, estado civil, condições
de saúde, deficiências físicas ou mentais e orientação sexual, entre outros
fatores. Dessa forma, a diversidade reflete a individualidade de cada
colaborador, configurando-se não apenas como um direito à igualdade, mas,
principalmente, como um direito à diferença.
Conforme Alves e Galeão-Silva (2004, p.
27), as organizações que reconhecem o valor estratégico da diversidade cultural
estão mais bem posicionadas para a inovação, o que fortalece sua capacidade de
atrair e reter clientes. A composição de equipes com ampla diversidade cultural
permite uma compreensão mais ampla das demandas dos clientes, oferecendo um
diferencial competitivo em relação às organizações que ainda não exploram
plenamente essa diversidade no ambiente de trabalho.
Embora o tema da diversidade cultural nem
sempre seja tratado explicitamente nas organizações, ele pode estar presente de
maneira implícita, como no caso da formação acadêmica variada dos
profissionais, o que proporciona múltiplas perspectivas de análise e solução de
problemas. Essa variedade de olhares favorece o enfrentamento de desafios em
uma sociedade em constante transformação, permitindo que as organizações
desenvolvam soluções inovadoras para as demandas diárias, contribuindo com a
sociedade contemporânea brasileira.
Myers (2003, p. 485) observa que a
diversidade organizacional foi impulsionada pela globalização, que transformou
as perspectivas e ações dos indivíduos em uma sociedade cada vez mais plural.
Nesse contexto, segundo Nascimento (2012, p. 92), o reconhecimento da
diversidade cultural é essencial para a criação de um ambiente de trabalho
multicultural, em que cada colaborador pode contribuir significativamente para
o bem-estar organizacional e social.
Conforme pontuam Saraiva e Irigaray (2009,
p. 338), o tema da diversidade cultural tem ganhado relevância nas organizações
em virtude da pluralidade existente na força de trabalho. Tal diversidade deve
ser valorizada, considerando-se as diferenças individuais (estilos de vida,
religião, gênero, raça, entre outras). Entretanto, desafios persistem, como a
discriminação de gênero e racial, que ainda se manifestam em ambientes de
trabalho multiculturais. Apesar disso, um número crescente de organizações demonstra
avanço no acolhimento e estímulo à diversidade cultural e de gênero,
reconhecendo o valor social e econômico dessa prática. A aceitação da
diversidade cultural é, portanto, um reflexo da sociedade em sua pluralidade e
uma prática ética e socialmente benéfica.
Este estudo tem por objetivo discutir os
desafios enfrentados pelas organizações brasileiras no gerenciamento da
diversidade cultural, especialmente à luz das novas diretrizes e inovações
tecnológicas em gestão.
A metodologia adotada foi a revisão
bibliográfica, considerando que, segundo Cervo, Bervian e Silva (2006, p. 60),
esse método permite uma exploração aprofundada de um problema com base em
referenciais teóricos já publicados, tais como livros, artigos em periódicos
científicos, teses e dissertações, promovendo o aprofundamento do conhecimento
sobre o tema. Pizzani et al. (2012, p. 54) corroboram essa definição,
enfatizando que a revisão bibliográfica envolve a análise de literatura
diretamente relacionada aos objetivos que orientam a investigação científica.
Para realização deste estudo, foram analisados 20 artigos relevantes em língua portuguesa, selecionados por meio das plataformas Google Acadêmico e SciELO, entre os dias 22 e 30 de junho de 2020.
2.
REFERENCIAL TEÓRICO
2.1
Diversidade no Contexto das Organizações
A diversidade cultural representa um
conjunto de características individuais que refletem variações de aspectos
culturais, como tradições, crenças, raças, gêneros e orientações sexuais, entre
outras particularidades dos indivíduos e grupos que ocupam determinado espaço
geográfico. Para Alves e Galeão-Silva (2004, p. 22), a diversidade cultural é
também definida pela formação, idade, estilo de vida e personalidade,
refletindo a constante transformação da sociedade.
Conforme Fleury (2000, p. 19), o processo
histórico brasileiro foi marcado pela fusão de diversas raças e culturas desde
a chegada dos europeus, criando uma cultura singularmente diversa que compõe a
identidade étnica e racial brasileira contemporânea, com valores, crenças e
práticas sociais próprias. No entanto, a miscigenação de raças também produziu
desafios, incluindo a intolerância, manifestada por meio do racismo
(preconceito racial), da discriminação social e da homofobia, elementos que
propagam a violência contra as diferenças.
Irigaray e Freitas (2020, p. 81) destacam
que a discriminação e a violência direcionadas a negros, indígenas e
homossexuais persistem tanto na esfera social quanto organizacional, uma vez
que as organizações refletem as estruturas sociais. Nesse contexto, a ocultação
da identidade sexual torna-se uma estratégia para mitigar experiências de
opressão no ambiente de trabalho.
Oliveira (2007, p. 7) enfatiza que o
preconceito e a discriminação representam barreiras significativas,
particularmente para mulheres negras que buscam ascensão profissional. Embora
as organizações estejam gradualmente se esforçando para integrar indivíduos de
diversas culturas, os desafios para incluir mulheres negras em posições de
liderança permanecem significativos, destacando uma realidade organizacional
ainda carente de equidade de gênero e racial.
Um ambiente profissional igualitário e
saudável depende, em grande parte, do papel ativo dos gestores em promover um
sistema acolhedor e inclusivo, que valorize a diversidade e desestimule
práticas discriminatórias. De acordo com Fleury (2000, p. 20), a diversidade
compreende a coexistência de pessoas com identidades distintas dentro de um
mesmo sistema social, o que, no âmbito organizacional, impulsiona discussões
sobre a importância de ambientes multiculturais para o reconhecimento das
diferenças individuais.
Saraiva e Irigaray (2009, p. 338)
argumentam que a valorização da diversidade organizacional contribui para a
formação de um ambiente de trabalho mais democrático e inclusivo, promovendo
benefícios tanto para os colaboradores quanto para o alcance dos objetivos
organizacionais. Oliveira e Rodrigues (2004, p. 3835) ampliam essa visão,
sugerindo que a valorização da diversidade não se limita a gênero e raça, mas
também se estende a aspectos como estilo de vida, condições socioeconômicas e
outras características pessoais, o que fortalece a criatividade e a cooperação
entre os colaboradores.
Silvestre e Figueiredo (2013, p. 304)
observam que o reconhecimento de novos modelos familiares, como as famílias
homoafetivas, desafia os paradigmas tradicionais, exigindo que as organizações
adotem estratégias de gestão alinhadas à diversidade. Isso não só melhora a
imagem social da organização, mas também reflete o alinhamento com a sociedade
contemporânea.
Myers (2003, p. 491) identifica que, com a
globalização, a diversidade tornou-se um tema central para as organizações,
incentivando transformações que favorecem a inovação e a atração de talentos.
Irigaray e Freitas (2020, p. 77) acrescentam que os gestores enfrentam o
desafio de conciliar a diversidade interna com os objetivos organizacionais,
promovendo um ambiente justo e equitativo que favoreça a colaboração e o
desempenho organizacional.
No Brasil, conforme Maccali, Kuabara,
Takahashi, Roglio e Boehs (2015, p. 161), o desenvolvimento de políticas de
gestão que valorizam a diversidade é crucial para estimular a criatividade e a
troca de experiências, melhorando os processos decisórios e a adaptabilidade
das equipes. Arthur e Freitas (2020, p. 80) reforçam que ambientes
multiculturais facilitam a flexibilidade e agilidade organizacional, permitindo
um aprendizado contínuo de abordagens diversas.
Para Myers (2003, p. 491), a homogeneidade
excessiva entre colaboradores pode limitar a capacidade de uma organização em
compreender e atender um mercado culturalmente diverso, comprometendo a
inovação e a competitividade. Espera-se, portanto, que a diversidade cultural
seja uma realidade comum nas organizações brasileiras, dada a miscigenação da
população. Contudo, a disparidade salarial entre homens e mulheres em posições
equivalentes indica que desafios substanciais ainda precisam ser enfrentados
para se alcançar um ambiente organizacional verdadeiramente inclusivo e justo.
2.2
Gestão da Diversidade
Segundo Alves e Galeão-Silva (2004, p.
21), a gestão da diversidade cultural nas organizações tem sido defendida com
base em dois pontos de vista: o primeiro aborda programas adotados pelas
organizações voltados à diversidade, como parte de políticas de ação afirmativa
impostas pela legislação e pela luta dos direitos civis, uma vez que se baseiam
na meritocracia e não no favorecimento; o segundo aborda o gerenciamento da
diversidade de pessoas nas organizações, pois gestores que exercem medidas
estratégicas visam influenciar positivamente com o objetivo de promover um
ambiente de trabalho multicultural potencializador de ideias criativas e
inovadoras.
De acordo com Oliveira (2007, p. 1), a
gestão da diversidade no Brasil compreende um instrumento utilizado pela
maioria das organizações no auxílio da diminuição de injustiças sociais
históricas. Entretanto, o universo de interesse das organizações, conforme
aponta Myers (2003, p. 493), visa à adequação a um mercado mais exigente em
termos de imagem e desempenho, aglutinando eficiência e compromisso social; e,
sob o ponto de vista da sociedade, visa à superação das práticas
discriminatórias e de exclusão. Cabe destacar que:
No Brasil, os Programas de Gestão da Diversidade
abrangem também os portadores de deficiências, estes já amparados por
legislação específica; no caso das mulheres, apresenta-se, por exemplo nos
partidos políticos, também leis que regulamentam a adoção de cotas para esta
população. Para os negros existe um grande questionamento de empresários,
intelectuais e pesquisadores com relação à adoção de ações afirmativas, no
modelo de cotas, para que os negros possam ter garantido quadros mínimos de
participação em universidade e concursos públicos e em outros setores da
sociedade. (OLIVEIRA, 2007, p. 6)
Nesse sentido, Neves (2020, p. 142)
destaca que a gestão da diversidade se tornou um aspecto vital para a
sobrevivência das organizações, em um contexto no qual as pessoas clientes,
consumidores, cidadãos valorizam mais as organizações cujas políticas e conduta
gerenciais estejam em consonância com a realidade social, com toda a sua
abrangência e diversidade. Para Oliveira (2007, p. 2), é necessário compreender
que ação afirmativa não é sinônimo exclusivo de cotas no gerenciamento da
diversidade, pois elas representam o desenvolvimento de um Estado de Bem-Estar
Social que precisa favorecer a condição de igualdade de oportunidades (Tabela
1).
Tabela 1 – Comparação entre Ação Afirmativa e Gestão da
Diversidade
|
Variáveis |
Ação
Afirmativa |
Gestão da
Diversidade |
|
Grupos atingidos |
Minorias, grupos
discriminados: negros, mulheres e deficientes físicos. |
Todas as diferentes
identidades presentes nas empresas: etnias, religiões, gênero, orientação
sexual etc. |
|
Efeitos nas empresas |
Pressões coercitivas
externas provocam mudanças nos processos de recrutamento, seleção e
treinamento; imposição de cotas. |
Diversidade passa a
ser uma vantagem competitiva: atração de funcionários talentosos;
sensibilização para novas culturas/novos mercados; potencial aumento da
criatividade e da inovação; aumento da capacidade de resolução de problemas;
aumento da flexibilidade do sistema administrativo. |
Fonte: Adaptada de Alves e Galeão-Silva
(2004, p. 24).
Conforme Alves e Galeão-Silva (2004, p.
23-24), um importante passo foi dado pelo Brasil nos anos 1990, pois os
governantes brasileiros reconheceram a discriminação de negros no mercado de
trabalho como um problema social, a partir da luta dos movimentos sociais por
políticas de ação afirmativa. Esse ato ficou ainda mais forte a partir de 1995,
quando o governo brasileiro implementou medidas legais no combate à
discriminação no mercado de trabalho. Neste sentido, graças à interferência do
Estado, para Oliveira (2007, p. 2), as organizações passaram a assumir os
desafios característicos da sociedade brasileira, a fim de tentar amenizar as
tensões sociais na cultura organizacional. Em outras palavras, as organizações
reagiram positivamente ao aceitar que as medidas governamentais buscavam primar
por um espaço profissional social mais igualitário e justo.
Para Oliveira e Rodrigues (2004, p. 3837),
o gerenciamento da diversidade significa considerar as diferenças entre as
pessoas que compõem uma organização, criando um ambiente convidativo — ou seja,
igualitário e justo, uma vez que as pessoas se identificam com ela e maximizam
suas habilidades a fim de contribuir com os seus objetivos.
Segundo Cardoso, Farias Filho e Cardoso
(2004, p. 3), o desafio estendido aos gestores está na criação de uma cultura
organizacional que apoie e encoraje os colaboradores a alcançarem o mais alto
nível de produtividade e criatividade, apoiando a busca pela realização pessoal
e coletiva por meio do trabalho, promovendo a igualdade e o respeito para
todos.
A gestão da diversidade nos últimos anos
tem estimulado as organizações a tornar o ambiente inovador, pela soma de
perfis, formação ideológica, orientações e crenças que venham a contribuir com
os seus resultados. Conforme aponta Irigaray e Freitas (2020, p. 80), a
heterogeneidade do ambiente de trabalho não é um desafio apenas para os
indivíduos, mas para as organizações também, que precisam preparar seus
gestores para lidar com situações adversas que venham a enfraquecer o espírito
competitivo de sua equipe. De muitas maneiras, e principalmente pela ampla
diversidade cultural e étnica brasileira, seria de se esperar que os gestores
brasileiros, governantes e a sociedade fossem menos condescendentes no tocante
ao racismo e outras práticas antiéticas. De toda forma, o país está evoluindo
quanto a esta questão, mas ainda há uma grande jornada pela frente.
2.3 Tecnologias no Gerenciamento de Pessoas
Segundo Fresneda (2014, p. 82), a
globalização e os avanços da tecnologia mudaram a forma de gerenciamento de
pessoas nas organizações. Tornou-se possível e até necessário gerenciar as
equipes remotamente, com o auxílio de equipamentos e programas (hardware e
software) com essa finalidade.
Os computadores e, na sequência, os
dispositivos móveis facilitaram o contato com as equipes e o seu gerenciamento
remoto. Nesse sentido, a distância não é mais um empecilho para o contato com
cada membro da equipe, para a disseminação de ideias, sugestões, objetivos e
metas organizacionais. A atividade de comunicação, se realizada de forma
coordenada e colaborativa, torna-se mais eficiente, a fim de extrair o melhor
de cada colaborador.
A inovação tecnológica, de acordo com
Silva (2020, p. 51), tornou-se uma aliada importante do desempenho
organizacional e do bom relacionamento entre os membros da equipe. Para Corrêa
(2009, p. 163), por meio da rede mundial de computadores, a conexão entre
pessoas viabiliza a comunicação e a automatização dos processos produtivos, o
que tende a aumentar a eficiência gerencial e produtiva da organização fator
importante para a geração de bem-estar social coletivo, e que pode estar
relacionado ao aumento e à aceitação da diversidade cultural nas organizações.
Segundo Kohn e Moraes (2007, p. 5), o
desenvolvimento de novas tecnologias digitais incorporadas pelas organizações
tornou o mercado mais competitivo e ágil, e este passou a valorizar a
contratação de pessoas talentosas independentemente de suas características
físicas ou comportamentais.
Para Corrêa (2009, p. 163), cabe às
organizações buscar novos formatos e estratégias para manter e ampliar a
comunicação e o relacionamento com seus públicos, uma vez que a busca por
pessoas capacitadas para lidar com as novas tecnologias tornou-se uma necessidade
corporativa — e também porque funcionários são consumidores, possuindo com
marcas e produtos diversos algum tipo de relação. Isso quer dizer que as
organizações são criadas por pessoas e às pessoas elas devem servir
continuamente.
Para Fresneda (2014, p. 82), os recursos
digitais compartilhados podem ser utilizados para o gerenciamento da
organização e para a minimização de conflitos entre os colaboradores, além de
serem destinados ao compartilhamento de conhecimentos e experiências. Corrêa
(2009, p. 164) destaca que o compartilhamento de opiniões, ideias, experiências
e mídias, possibilitando conversações sobre o que é relevante, interfere
positivamente na gestão e na produtividade de uma equipe heterogênea ou não.
De tal forma que a tecnologia é um dos
principais propulsores da sociedade contemporânea e tem possibilitado a
aproximação das pessoas tanto pessoal quanto profissionalmente. Os benefícios
são diversos, especialmente na medida em que ganha importância a competência
individual revelada no ambiente de trabalho, e perde importância fatores como a
cor ou o gênero do indivíduo profissional.
Medeiros (1996, p. 2) afirma que os
avanços das tecnologias digitais, integradas no cotidiano das pessoas,
revolucionaram o modo de viver, se comunicar, de pensar e fazer negócios. Nesse
sentido, mudou também o comportamento da sociedade contemporânea brasileira,
pois essa conectividade entre organizações e a diversidade de culturas
proporcionou um estreito relacionamento, mas que ainda precisa ser trabalhado
para minimizar as diferenças sociais ainda existentes.
Considerando as transformações operadas no âmbito das organizações quanto aos recursos tecnológicos, tanto no Brasil quanto em outros países, a despeito da intensidade da implementação das novas tecnologias, pode-se concluir que o desafio é a valorização da própria diversidade dos integrantes das organizações pelos gestores, bem como o uso dos recursos tecnológicos favorece a comunicação interna e externa e influencia a rapidez ou lentidão da tomada de decisões.
3.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A diversidade cultural no ambiente
corporativo brasileiro tem recebido crescente atenção, impulsionada pela
implementação de políticas inclusivas que buscam promover inovação e
criatividade por meio de uma estrutura organizacional flexível, pautada na heterogeneidade
de seus membros. A valorização da diversidade no âmbito corporativo reflete o
avanço de políticas públicas que destacam as questões de gênero, raça e etnia,
resultando na criação de práticas de gestão de pessoas que integram essa
diversidade como um ativo estratégico. Essas práticas ampliam a capacidade das
organizações de responder às demandas do mercado de forma abrangente e
inovadora.
O avanço na inclusão de profissionais
qualificados tem se dado pela priorização das competências técnicas sobre
características pessoais como cor, etnia, gênero, orientação sexual ou
religiosa. Com o advento das novas tecnologias digitais, colaboradores capacitados
e adaptáveis a novos desafios são os mais valorizados no mercado de trabalho,
influenciando positivamente o comportamento organizacional e social e
contribuindo para um ambiente corporativo mais equitativo e inclusivo.
Este estudo atingiu seus objetivos ao
apresentar uma análise fundamentada dos desafios enfrentados pelas organizações
brasileiras no gerenciamento da diversidade cultural. A revisão bibliográfica
permitiu uma abordagem aprofundada sobre a importância da promoção de práticas
inclusivas e de combate ao preconceito no ambiente organizacional. Conclui-se
que a gestão da diversidade é fundamental para a construção de uma cultura
corporativa que valorize a pluralidade, favorecendo tanto o desenvolvimento
individual dos colaboradores quanto a competitividade e inovação
organizacional. A promoção de uma cultura inclusiva não apenas reflete o
compromisso ético das organizações, mas também oferece uma resposta estratégica
para os desafios de um mercado globalizado e diverso, consolidando o papel das
organizações como agentes transformadores na sociedade.
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